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quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Deiz letras


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DEIZ LETRAS

Du Siqueira

terça-feira, 17 de novembro de 2009

O meu sim

O Meu Sim (Marina Lima/Antonio Cicero)

E eu quisera ser só seu
Quando o mundo era menor
E hoje eu sei
Que sou mais eu
Prá melhor ou prá pior

E eu vou seguindo
Alguns sinais
Que primeiro eu inverti
Mas quando eu puder olhar prá trás
Você vai brilhar ali

Perigo na curva
Proibido parar
Antes de chegar a mim
Minha vida absurda
E a terra a girar
Quem escuta o meu sim?
Quem escuta o meu sim...

Quem sabe um dia
Eu lhe descrevo
Estes círculos que penso
Ao navegar por certos trevos
Em que os sonhos são mais densos

E às vezes alta madrugada
Ficam dúvidas com tudo
Quem sabe o fim não seja nada
E a estrada seja tudo

Perigo na curva
Proibido parar
Antes de chegar a mim
Minha vida absurda
E a terra a girar
Quem escuta o meu sim?
Quem escuta o meu sim...

terça-feira, 10 de novembro de 2009

a sangre y fuego

Cien Sonetos de Amor 

LXVI 

No te quiero sino porque te quiero
y de quererte a no quererte llego
y de esperarte cuando no te espero
pasa mi corazón del frío al fuego.

Te quiero sólo porque a ti te quiero,
te odio sin fin, y odiándote te ruego,
y la medida de mi amor viajero
es no verte y amarte como un ciego.

Tal vez consumirá la luz de enero,
su rayo cruel, mi corazón entero,
robándome la llave del sosiego.

En esta historia sólo yo me muero
y moriré de amor porque te quiero,
porque te quiero, amor, a sangre y fuego. 

Pablo Neruda

domingo, 19 de julho de 2009

Love and Fire

Love and Fire

I want the purest sweet Love
Not this miserable fighting course
To fly light through the air like a dove
And keep me safe from any curse

May I desire this pure sentiment
Which warms the heart and freezes the soul
And sends us to a place never sent
Just to feel a flame burning so slow?

All is pain and pleasure, hurt and desire
It is a sin and a delightful feeling
It is a thin line between the love and the fire
Smiling and screaming, always kneeling

I crave for more, I wish this mire
I suffer when I hurt you, I beg forgiveness
I did not want to play only with fire
I need your love, oh sweetness!

Du Siqueira

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Com Açúcar, Com Afeto

Sim, ainda Chico Buarque. É o que ouço religiosamente.


Com açúcar, com afeto
Chico Buarque/1966


Com açúcar, com afeto
Fiz seu doce predileto
Pra você parar em casa
Qual o quê
Com seu terno mais bonito
Você sai, não acredito
Quando diz que não se atrasa
Você diz que é operário
Vai em busca do salário
Pra poder me sustentar
Qual o quê
No caminho da oficina
Há um bar em cada esquina
Pra você comemorar
Sei lá o quê

Sei que alguém vai sentar junto
Você vai puxar assunto
Discutindo futebol
E ficar olhando as saias
De quem vive pelas praias
Coloridas pelo sol
Vem a noite e mais um copo
Sei que alegre ma non troppo
Você vai querer cantar
Na caixinha um novo amigo
Vai bater um samba antigo
Pra você rememorar

Quando a noite enfim lhe cansa
Você vem feito criança
Pra chorar o meu perdão
Qual o quê
Diz pra eu não ficar sentida
Diz que vai mudar de vida
Pra agradar meu coração
E ao lhe ver assim cansado
Maltrapilho e maltratado
Ainda quis me aborrecer
Qual o quê
Logo vou esquentar seu prato
Dou um beijo em seu retrato
E abro os meus braços pra você

quinta-feira, 16 de julho de 2009

FLIP 2009: Chico Buarque e Milton Hatoum

A Festa Literária Internacional de Paraty, que ocorreu durante os cinco primeiros dias do mês de julho deste ano, contou com a participação de alguns escritores renomados da literatura contemporânea. Destaco o nome de alguns: Anne Enright, Edna O'Brien, António Lobo Antunes, J. M. Coetzee, Milton Hatoum e Chico Buarque.

Sei como funciona a festa. O glamour e a mídia reinam. Não se pode esperar discussões e análises produtivas de obras literárias ali. Escritores precisam vender. Para isso, precisam de divulgação. Muitos vão a esses eventos pois são obrigados por suas editoras. A figura do escritor se torna maior que sua obra. Isso, para mim, não é válido para a literatura. Claro que em um país onde o número de pessoas que lêem e consomem obras literárias é cada vez menor, e uma publicidade como a FLIP se torna um caminho recorrente e necessário para a sobrevivência das pessoas que vivem desse tipo de trabalho com a escrita. Mas não gosto muito disso. Ali os leitores e amantes de Litertaura não se satisfazem. A grande mídia, sim.


Não estive presente. Mas confesso que apesar de saber como a coisa funciona e me decepcionar com isso, queria ter ido.

A FLIP também tem uma importância que poucas pessoas se lembram: a de colocar em evidência novos escritores e poetas, a literatura contemporânea brasileira. De apresentar ao Brasil e ao mundo novos artesãos da palavra.

Uma das pricipais mesas, e a que eu mais esperava, era a Mesa 10, onde Milton Hatoum e Chico Buarque estiveram presentes, falando sobre seus processos de escrita e suas obras. Gostei do Milton Hatoum, autor que - ainda - não li, mas que dispertou em mim uma vontade enorme de conhecer sua obra literária.

Seguem alguns vídeos da tal mesa.

- Parte 1: O mediador Samuel Titan Jr apresenta Milton Hatoum e Chico Buarque no início da mesa literária.



- Parte 2: Chico Buarque lê um trecho de sua nova obra "Leite derramado".



- Parte 3: Milton Hatoum lê um trecho de sua obra na FLIP 2009.



- Parte 4: Milton Hatoum explica como se inspirou para a criação de seus livros.



- Parte 5: Chico Buarque diz como se inspirou para a criação literária, citando "Budapeste" e "Leite derramado".



- Parte 6: Chico Buarque - Música e Literatura



- Vídeo 7: Chico Buarque fala a respeito da manifestação em Paraty.



E esta semana saiu na revista VEJA uma crítica do Diogo Mainardi sobre a FLIP, e especialmente sobre o Chico Buarque escritor. Depois posto aqui, comentando, é claro.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Uma árvore de veneno

Para quem ainda não conhece William Blake, aqui vão duas obras dele. Não vejo muitas traduções suas para o português, e nem me arrisco por enquanto, pois neste original flui bastante poesia.


William Blake nasceu em 1757, em Londres, e morreu em 1827, também na capital inglesa. Além de poeta, era pintor e tipógrafo.


Deixo-vos com "Uma árvore de veneno" e "Pietà".


A Poison Tree

I was angry with my friend:
I told my wrath, my wrath did end.
I was angry with my foe:
I told it not, my wrath did grow.

And I watered it in fears
Night and morning with my tears,
And I sunned it with smiles
And with soft deceitful wiles.

And it grew both day and night,
Till it bore an apple bright,
And my foe beheld it shine,
And he knew that it was mine -

And into my garden stole
When the night had veiled the pole;
In the morning, glad, I see
My foe outstretched beneath the tree.


Pietà, de 1795, representante do Neo-classicismo