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quarta-feira, 1 de junho de 2011

que viagem linda que é a literatura...

"Impressionante como escrever nos dá poder. Vejo meu próprio sorriso de satisfação. Cato-o com as mãos. Viro-me para a janela e não temo mais o vento que entra. Temo apenas que me sugue para fora, como um avião."

"Mas entre o que eu quero e o que eu consigo existem tantos parágrafos... entre o que eu quero e o que eu consigo existem tantas palavras a acentuar. Dores demais. Muitos pensamentos. Muitos ideais, meus, seus, restos no banheiro."

(Trechos de A mulher barbada, de Santiago Nazarian)

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Desista!

Escrito originalmente em um parágrafo, porém modificado na tradução em português, o conto consta no livro "Narrativas do espólio", de Franz Kafka, com tradução de Modesto Carone, e publicado pela Companhia das Letras.


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Desista! 

Era de manhã bem cedo, as ruas limpas e vazias, eu ia para a estação ferroviária. Quando confrontei um relógio de torre com o meu relógio, vi que já era muito mais tarde do que havia acreditado, precisava me apressar bastante; o susto dessa descoberta fez-me ficar inseguro no caminho, eu ainda não conhecia bem aquela cidade, felizmente havia um guarda por perto, corri até ele e perguntei-lhe sem fôlego pelo caminho. Ele sorriu e disse:
“De mim você quer saber o caminho?”
“Sim”, eu disse, “uma vez que eu mesmo não posso encontrá-lo”.
“Desista, desista”, disse ele, e virou-se com um grande ímpeto, como as pessoas que querem estar a sós com o seu riso.

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Gibs auf!

Es war sehr früh am Morgen, die Straßen rein und leer, ich ging zum Bahnhof. Als ich eine Turmuhr mit meiner Uhr verglich, sah ich, dass es schon viel später war, als ich geglaubt hatte, ich musste mich sehr beeilen, der Schrecken über diese Entdeckung ließ mich im Weg unsicher werden, ich kannte mich in dieser Stadt noch nicht sehr gut aus, glücklicherweise war ein Schutzmann in der Nähe, ich lief zu ihm und fragte ihn atemlos nach dem Weg. Er lächelte und sagte: "Von mir willst du den Weg erfahren?" "Ja", sagte ich, "da ich ihn selbst nicht finden kann." "Gibs auf, gibs auf", sagte er und wandte sich mit einem großen Schwunge ab, so wie Leute, die mit ihrem Lachen allein sein wollen.

Franz Kafka. Tradução de Modesto Carone.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

dias são noites (madrugadas são dias)


Les feux d'artifice t'apellent
Descend dans la rue


Rufus Wainwright lançou este mês novo álbum, All Days Are Nights: Songs for Lulu.

Três das canções são sonetos de William Shakespeare. Daí já dá pra perceber do que se trata.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

o único final feliz para a história de amor é um acidente(?)


"o único final feliz para a história de amor é um acidente"

(mensagem do escritor João Paulo Cuenca via Twitter, 26/fev/2010)

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Mas meu lado pisciano combate fortemente essa ideia, preciso desse embate para ainda ser pisciano.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

entrelinhas e entre linhas


"(...) um grande conto vale mais pelo que está na entrelinha do que pelo que é dito diretamente (...)" Marcelino Freire



Podcast de Marcelino Freire para a Folha Online sobre o workshop que ele ministrará no fim do mês em São Paulo sobre Literatura e Erotismo.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Deiz letras


|
U | O
DE | TW
TRO | THR
QUAT | FOUR
CINQ L | FIVE L
SIX LET | SIX LET
SEPT LET | SEVEN LE
HUIT LETT | EIGHT LET
NEUF LETTR | NINE LETTE
DIX LETTRES | TEN LETTERS
U
DU
TRÊ
QUAT
CINC
SEIS LE
SETE LET
OITO LETR
NOVE LETRA
DEIZ LETRAS

Du Siqueira

terça-feira, 10 de novembro de 2009

a sangre y fuego

Cien Sonetos de Amor 

LXVI 

No te quiero sino porque te quiero
y de quererte a no quererte llego
y de esperarte cuando no te espero
pasa mi corazón del frío al fuego.

Te quiero sólo porque a ti te quiero,
te odio sin fin, y odiándote te ruego,
y la medida de mi amor viajero
es no verte y amarte como un ciego.

Tal vez consumirá la luz de enero,
su rayo cruel, mi corazón entero,
robándome la llave del sosiego.

En esta historia sólo yo me muero
y moriré de amor porque te quiero,
porque te quiero, amor, a sangre y fuego. 

Pablo Neruda

domingo, 6 de setembro de 2009

... e o livro do "Prédio"



Domingo. Manhã clara-ofuscada. Nuvens tentam limitar o dia. Passa pelas montanhas. Neblina. Viaja com o livro do "... Prédio..." nas mãos. Vai buscar seu dia.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Microcontos: [Sem título, 34]

[Sem título, 34]

Grãos de milho. Chão de cimento. Dura fé. Seus joelhos sobre os grãos. Penitência cristã. Rezava seu rosário todos os dias. Pobre pecador.

Du Siqueira

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Microcontos: [Sem título, 33]

[Sem título, 33]

Ants. Summer it seems. Pieces of food. Sugar blocks. The girl paints. A rank of little beings. Carrying leaves through the flood. Fall locks.

Du Siqueira

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Microcontos: [Sem título, 32]

[Sem título, 32]

Vive no frio de inverno, mesmo no verão. Fecha-se em serras com primazia. Abre-se na razão. Busca a luz dos gregos na escuridão da poesia.

Du Siqueira

Microcontos: [Sem título, 31]

[Sem título, 31]

Fria distância. Distância essa apenas geográfica. Espacial. Não dos sentidos e lembranças. Da memória. Inverno profundo. Mas que tem seu fim.

Du Siqueira

terça-feira, 28 de julho de 2009

Microcontos: [Sem título, 30] ou Reticências ao silêncio

[Sem título, 30] ou Reticências ao silêncio

Não queria falar. Dizer a cruel verdade. Reminicências: medo e silêncio no ar. Crises da idade? Esconde-se atrás de constantes reticências.

Du Siqueira

Microcontos: [Sem título, 29]

[Sem título, 29]

Enxugou suas lágrimas. Continuou ali. Sofria. Mas reconhecia que deveria parecer forte. Inabalável. Super-mãe. A filha, ela tinha leucemia.

Du Siqueira

Microcontos: [Sem título, 28]

[Sem título, 28]

Corria e corria. Cansava-se. Ruas que por vezes já andou. Outras ainda desconhecidas. -Maratonista?- Ela fugia do futuro. Corria de si mesma.

Du Siqueira

Microcontos: [Sem título, 27]

[Sem título, 27]

"7+5=?" Pensava. Esforçava-se para fazer as contas sem ter que contar nos dedos. "8x6=?" Depois de 72 anos, frequentava suas primeiras aulas.

Du Siqueira

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Microcontos: [Sem título, 26]

[Sem título, 26]

Dor no peito. Já estava sem ar. O que fazer ali? Sozinho. A quem recorrer? O telefone estava fora do alcance de suas mãos. Agonizava. Dormiu.

Du Siqueira

sábado, 25 de julho de 2009

Microcontos: [Sem título, 25]

[Sem título, 25]

-Não sei, menina!- Mas, mãe, eu quero conhecer meu papai! É o que veio aqui ontem? -Não!- Aquele que vem todo sábado? -Não! Te achei no lixo!-

Du Siqueira