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segunda-feira, 1 de agosto de 2011

august 1, 2011

acho que vou virar escritor. assim poderei ser solitário com dignidade.

domingo, 24 de julho de 2011

playlist: marina blues - vol. 2


 01.Para um Amor no Recife (Paulinho da Viola)
02. No Escuro (Antonio Cícero/Marina Lima)
03. Não Sei Dançar (Alvin L.)
04. Três (Antonio Cícero/Marina Lima)
05. Portos e Vinhos (Marina Lima)
06. As Ordens do Amor - participação: Arnaldo Antunes (Marina Lima)
07. Uma Antiga Manhã (Marina Lima)
08. Deve Ser Assim (Alvin L./Antonio Cícero/Marina Lima)
09. O Solo da Paixão (Antonio Cícero/Marina Lima)
10. A Parte Que Me Cabe - participação: Fabiana Marques (Marina Lima)
11. Me Chama (Lobão)
12. O Chamado (Giovanni Bizzotto/Marina Lima)
13. Call Me (Tony Hatch)
14. À Meia-Voz (Antonio Cícero/Marina Lima)
15. Seu Nome (Antonio Cícero/Marina Lima)
16. Pra Começar - ao vivo (Antonio Cícero/Marina Lima)

terça-feira, 27 de julho de 2010

quem te viu, quem te vê

Miúcha e Celso Adolfo (vocais), Camilla Dias (piano) e Georgiana de Moraes (percussão e canto) no Projeto SESC MPB no Parque Municpal de BH, domingo, 25 de julho de 2010.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Desista!

Escrito originalmente em um parágrafo, porém modificado na tradução em português, o conto consta no livro "Narrativas do espólio", de Franz Kafka, com tradução de Modesto Carone, e publicado pela Companhia das Letras.


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Desista! 

Era de manhã bem cedo, as ruas limpas e vazias, eu ia para a estação ferroviária. Quando confrontei um relógio de torre com o meu relógio, vi que já era muito mais tarde do que havia acreditado, precisava me apressar bastante; o susto dessa descoberta fez-me ficar inseguro no caminho, eu ainda não conhecia bem aquela cidade, felizmente havia um guarda por perto, corri até ele e perguntei-lhe sem fôlego pelo caminho. Ele sorriu e disse:
“De mim você quer saber o caminho?”
“Sim”, eu disse, “uma vez que eu mesmo não posso encontrá-lo”.
“Desista, desista”, disse ele, e virou-se com um grande ímpeto, como as pessoas que querem estar a sós com o seu riso.

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Gibs auf!

Es war sehr früh am Morgen, die Straßen rein und leer, ich ging zum Bahnhof. Als ich eine Turmuhr mit meiner Uhr verglich, sah ich, dass es schon viel später war, als ich geglaubt hatte, ich musste mich sehr beeilen, der Schrecken über diese Entdeckung ließ mich im Weg unsicher werden, ich kannte mich in dieser Stadt noch nicht sehr gut aus, glücklicherweise war ein Schutzmann in der Nähe, ich lief zu ihm und fragte ihn atemlos nach dem Weg. Er lächelte und sagte: "Von mir willst du den Weg erfahren?" "Ja", sagte ich, "da ich ihn selbst nicht finden kann." "Gibs auf, gibs auf", sagte er und wandte sich mit einem großen Schwunge ab, so wie Leute, die mit ihrem Lachen allein sein wollen.

Franz Kafka. Tradução de Modesto Carone.

domingo, 9 de maio de 2010

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Microcontos: [Sem título, 33]

[Sem título, 33]

Ants. Summer it seems. Pieces of food. Sugar blocks. The girl paints. A rank of little beings. Carrying leaves through the flood. Fall locks.

Du Siqueira

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Microcontos: [Sem título, 32]

[Sem título, 32]

Vive no frio de inverno, mesmo no verão. Fecha-se em serras com primazia. Abre-se na razão. Busca a luz dos gregos na escuridão da poesia.

Du Siqueira

Microcontos: [Sem título, 31]

[Sem título, 31]

Fria distância. Distância essa apenas geográfica. Espacial. Não dos sentidos e lembranças. Da memória. Inverno profundo. Mas que tem seu fim.

Du Siqueira

domingo, 28 de junho de 2009

Sábado choveu de novo



Chuva. Algumas vezes ela surge não sei de onde. Cai de algures. Lava as ruas. Apaga os nossos passos. Nos surpreende. Desabriga seres. Formigas. Insetos. Aproxima outros. Humanos. Une-nos.
Vêm os relâmpagos. Cria medo nas crianças. Trovões. Longa e bela ária para a noite. Chuva. Sinfonia n° 2. O frio. A necessidade do outro. Aquecem-se. E a chuva continua. Cai fina. Contínua. Cai. E chove. Chuva e frio. Noite. Fumaça. Cigarros. Chove ainda. Chuva ainda. Chuva e companhia.



sexta-feira, 22 de maio de 2009

Day after yesterday

Maio. Outono. Inverno quase chegando (ou já chegou? - essa necessidade humana de sempre querer medir as coisas, tudo certinho, de nomear o todo e o nada; um dia com 24 horas exatas, um minuto depois disso e já não é mais o mesmo dia, é o amanhã, já é o hoje, e não faz parte do ontem) e posso senti-lo caminhando devagar, se aproximando de mim, de cada um de nós. O tempo passa. Nós passamos por ele. Ele nos deixa marcas, amassos em nossas roupas, feridas também, nos aleja.

Cafés-da-manhã, amigos, desconhecidos, poetas de rua (tá, o de hoje era um cronista), conhecidos, universitários, mendigos, empresários, pais de família, meninos de rua, o frio da cidade, a mata do campus, carros, pessoas, formigas, os que ensinam, os que aprendem, o chocolate quente "com-açúcar-é-claro", o jacaré do livro, o cigarro de palha, as teorias, as dificuldades, o tesão pelo que se faz, o narrador no hospital do outro livro, os chatos, os redundantes, os desinteressantes, os alienados, os narcisistas (que não sabem - ou não adimitem - que o são), os transeuntes, os pivetes, a cidade, as luzes, os bares, o lixo espalhado pela calçada, a noite, o vento gelado, os mentirosos, os inconformados, os conformistas, o ser humano. O existencialismo. A misantropia. Eu.

Alguém bem próximo de mim me disse que devo mudar o meu modo de pensar. Pode ser algum problema comigo. Mas desde que entendo-me por mim mesmo, sempre fui assim. Então acredito que essa seja minha essência. O problema é mais interno, está no meu sangue, talvez no meu fígado.

Frieza? Racionalidade, mas reflexão. Não divago por apenas querer divagar, mas por ser necessário. E com cuidado. Sei andar perfeitamente no escuro. Guio-me por instinto e por curiosidade, audácia. Uma parede pode ser o destino certo à minha frente, mas será o caminho que terá sido escolhido por mim. Que a pancada seja forte, que meu crânio abra uma fenda latitudinal, que moscas venham e comam minha massa cinzenta, que o suco grosso escorra pelos meus olhos, colorindo a minha face.

Só quero a poesia, a tranquilidade, o caos dentro de mim. Odeio a utopia. A ignorância. Serei falso quando quiser, com quem eu quiser. Serei-lhe agradável como queira, mas quando eu quiser.

Tragam-me o silêncio. Fiquem com o caos. Engulam-se uns aos outros. Festejem a ignorância, a pobreza, o conformismo, as convenções. Festejem, mas engulam-se.

Sobrará alguém no fim de tudo isso, além das baratas e outros seres à prova de guerras nucleares? Sim, todos nós. E até nisso somos hipócritas, covardes. A covardia, o conformismo, a hipocrisia, o ócio, o metódico cotidiano é o que injetará oxigênio em nossos pulmões, nos alimentará e nos higienizará.

Queimem seus livros de Jean-Paul Sartre, esqueçam James Joyce e William Faulkner, nem comecem a ler um romance aí escrito por um réptil (que não teve a coragem de creditar seu texto ao próprio nome e o deu a um tal de S. Nazarian), nem procurem teses filosóficas. Também nem comecem pelas escritoras, é perca de tempo para vocês querer entender Virginia e Clarice. Isso deve lhes trazer um link para a podridão interna de cada um. De todos nós. De cada um de nós. Digo, continuem assim, quietos, metódicos, uma máquina, pois a plena felicidade ainda é possível dessa forma.

Vem, Inverno, mas fique também, Outono. Quero as folhagens amareladas pelas calçadas, o vento a soprar para longe meus devaneios e trazer um pouco de frescor ao meu rosto nesses dias, um pouco da fresca e gélida brisa.


"Today is the day after yesterday
And yesterday didn't go so well
My love came down and assured me:
Sit down, I have something to tell"

Anneke van Giersbergen