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domingo, 24 de julho de 2011

playlist: marina blues - vol. 2


 01.Para um Amor no Recife (Paulinho da Viola)
02. No Escuro (Antonio Cícero/Marina Lima)
03. Não Sei Dançar (Alvin L.)
04. Três (Antonio Cícero/Marina Lima)
05. Portos e Vinhos (Marina Lima)
06. As Ordens do Amor - participação: Arnaldo Antunes (Marina Lima)
07. Uma Antiga Manhã (Marina Lima)
08. Deve Ser Assim (Alvin L./Antonio Cícero/Marina Lima)
09. O Solo da Paixão (Antonio Cícero/Marina Lima)
10. A Parte Que Me Cabe - participação: Fabiana Marques (Marina Lima)
11. Me Chama (Lobão)
12. O Chamado (Giovanni Bizzotto/Marina Lima)
13. Call Me (Tony Hatch)
14. À Meia-Voz (Antonio Cícero/Marina Lima)
15. Seu Nome (Antonio Cícero/Marina Lima)
16. Pra Começar - ao vivo (Antonio Cícero/Marina Lima)

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Microcontos: [Sem título, 32]

[Sem título, 32]

Vive no frio de inverno, mesmo no verão. Fecha-se em serras com primazia. Abre-se na razão. Busca a luz dos gregos na escuridão da poesia.

Du Siqueira

domingo, 28 de junho de 2009

Sábado choveu de novo



Chuva. Algumas vezes ela surge não sei de onde. Cai de algures. Lava as ruas. Apaga os nossos passos. Nos surpreende. Desabriga seres. Formigas. Insetos. Aproxima outros. Humanos. Une-nos.
Vêm os relâmpagos. Cria medo nas crianças. Trovões. Longa e bela ária para a noite. Chuva. Sinfonia n° 2. O frio. A necessidade do outro. Aquecem-se. E a chuva continua. Cai fina. Contínua. Cai. E chove. Chuva e frio. Noite. Fumaça. Cigarros. Chove ainda. Chuva ainda. Chuva e companhia.



terça-feira, 9 de junho de 2009

Madrugada #1, ou Insônia, ou Duas-horas-e-pouco da madrugada

Até que enfim!

Dia desses, sábado para ser mais específico, consegui realmente chegar a um ponto de minha produção que eu queria. É, minha produção escrita. Alguns rascunhos. Anotações. Observações. Meus escritos. Achei um tom para minha fluência verbal. Meu derramamento de substantivos e adjetivos, guiados pelos verbos - e suas conjugações, tempos, modos, aspectos, flexões -, poucos advérbios, alguns pronomes, os mesmos artigos e as inúmeras pontuações. Cheguei (creio eu) a um tom próprio. Talvez nem tão próprio assim. Mas não é isso aqui que vocês lêem. Tenho lido muito, e não sei se isso me afetou, se acabou me influenciando. Mas que seja. É a mímese. A Literatura nos permite.

A cada dia fico mais feliz com as escolhas que tenho feito. Com as que já fiz. Contrariando a lógica e o bom senso às vezes. Mas sempre pensando em minha felicidade. Minha satisfação. Estabeleci prioridades. Busco fazer tudo da melhor forma. Mas não sou perfeito. Erro muito. Ando em círculos de tempos em tempos.

Tenho sede. Ânsia. Não. Fome. Sou faminto pelo tempo. Queria pular algumas coisas chatas e partir logo para a melhor parte. Mas não teria a mesma graça no fim. Não seria a mesma coisa. Paciência. Repito para mim mesmo. Paciência. Tenho aprendido muito com minha vida acadêmica. Não a troco por nada que eu já havia feito antes. Tem sido de extrema importância para minha consciência social. Individual. Pessoal.

Tenho lido preciosidades, em minha humilde opinião. Descobrir J. L. Borges foi uma das coisas que mais valeram a pena na faculdade, tanto com os professores quanto com os amigos. Algumas de minhas buscas pessoais também são de grande relevância. Santiago Nazarian me impressionou muito com seus livros. Sua prosa. A poesia em sua escrita. E logo logo sai outro livro dele. Chico Buarque e seu "Leite Derramado". Da poesia, cito Keats e Yeats (hum... isso cheira a influências de Morrissey, não?), Robert Frost, William Blake. William Shakespeare ainda é Shakespeare. Não tem como não falar de suas obras. De se apaixonar por um "Macbeth", ou "A Midsummer Night's Dream", ou "Hamlet". Fernando Pessoa sempre encanta. Clarice é Clarice. James Joyce. Virginia Woolf. É melhor parar por aqui. A lista é extensa. Sempre esqueço de alguém.

Mas voltando ao que eu dizia no início, encontrei um tom que me sinto mais confortável para escrever. Não tenho pretensões com isso. Escrevo porque preciso. As ideias não me deixariam dormir se eu não escrevesse. Se eu não as obedecesse. Se eu não me sentasse e começasse a registrar os meus pensamentos. Minhas ideias. Minha memória também anda melhorando um pouco com isso. Ou seja, algo que eu precisava realmente retomar. E eu tinha pudor em fazê-lo. Mas fiz. E continuarei. Precisava de um incentivo. E ele partiu do nada. Do inesperado. Talvez nem tanto do inesperado. E sim do esperado. Surgiu. Veio e não me deixou quieto. Achei bom. E é por isso que passo madrugadas escrevendo. Gosto da escuridão. Do silêncio. Da solidão. Da solidão do meu quarto. Desse frio. E essa insônia que me põe a escrever. Que me coloca a refletir sobre várias coisas. Cria em mim sensações e emoções. Ela me educa.

...


E minha memória continua me pregando algumas peças. Agora mesmo não me lembro porque quis vir aqui e escrever um pouco. Tá, já falei muito. Expus um pouco do que eu estava disposto. E não gosto disso. Me expor através de um blog. Mas o faço porque sei que ainda isso aqui tem poucos leitores. Talvez um, além de mim. E olha que já é muito para mim. E nem tenho vontade de que isso seja lido por muita gente. Só os amigos mesmo. Os que ainda têm paciência em lerem essas lorotas. Todas essas divagações aqui. Não quero isso aqui como um diário. Odeio isso. Acho desnecessário. Futil. Mas algumas coisas são boas de serem pontuadas. Devem ser pontuadas.




Ah, deixo uma dica de música. Melhor, de álbum: Sounds of the Universe, do Depeche Mode. O que escutei ao escrever aqui.

E eu quero muito ir ao show deles em São Paulo!!! Vai ser no final deste ano. Alguém me leva???

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Day after yesterday

Maio. Outono. Inverno quase chegando (ou já chegou? - essa necessidade humana de sempre querer medir as coisas, tudo certinho, de nomear o todo e o nada; um dia com 24 horas exatas, um minuto depois disso e já não é mais o mesmo dia, é o amanhã, já é o hoje, e não faz parte do ontem) e posso senti-lo caminhando devagar, se aproximando de mim, de cada um de nós. O tempo passa. Nós passamos por ele. Ele nos deixa marcas, amassos em nossas roupas, feridas também, nos aleja.

Cafés-da-manhã, amigos, desconhecidos, poetas de rua (tá, o de hoje era um cronista), conhecidos, universitários, mendigos, empresários, pais de família, meninos de rua, o frio da cidade, a mata do campus, carros, pessoas, formigas, os que ensinam, os que aprendem, o chocolate quente "com-açúcar-é-claro", o jacaré do livro, o cigarro de palha, as teorias, as dificuldades, o tesão pelo que se faz, o narrador no hospital do outro livro, os chatos, os redundantes, os desinteressantes, os alienados, os narcisistas (que não sabem - ou não adimitem - que o são), os transeuntes, os pivetes, a cidade, as luzes, os bares, o lixo espalhado pela calçada, a noite, o vento gelado, os mentirosos, os inconformados, os conformistas, o ser humano. O existencialismo. A misantropia. Eu.

Alguém bem próximo de mim me disse que devo mudar o meu modo de pensar. Pode ser algum problema comigo. Mas desde que entendo-me por mim mesmo, sempre fui assim. Então acredito que essa seja minha essência. O problema é mais interno, está no meu sangue, talvez no meu fígado.

Frieza? Racionalidade, mas reflexão. Não divago por apenas querer divagar, mas por ser necessário. E com cuidado. Sei andar perfeitamente no escuro. Guio-me por instinto e por curiosidade, audácia. Uma parede pode ser o destino certo à minha frente, mas será o caminho que terá sido escolhido por mim. Que a pancada seja forte, que meu crânio abra uma fenda latitudinal, que moscas venham e comam minha massa cinzenta, que o suco grosso escorra pelos meus olhos, colorindo a minha face.

Só quero a poesia, a tranquilidade, o caos dentro de mim. Odeio a utopia. A ignorância. Serei falso quando quiser, com quem eu quiser. Serei-lhe agradável como queira, mas quando eu quiser.

Tragam-me o silêncio. Fiquem com o caos. Engulam-se uns aos outros. Festejem a ignorância, a pobreza, o conformismo, as convenções. Festejem, mas engulam-se.

Sobrará alguém no fim de tudo isso, além das baratas e outros seres à prova de guerras nucleares? Sim, todos nós. E até nisso somos hipócritas, covardes. A covardia, o conformismo, a hipocrisia, o ócio, o metódico cotidiano é o que injetará oxigênio em nossos pulmões, nos alimentará e nos higienizará.

Queimem seus livros de Jean-Paul Sartre, esqueçam James Joyce e William Faulkner, nem comecem a ler um romance aí escrito por um réptil (que não teve a coragem de creditar seu texto ao próprio nome e o deu a um tal de S. Nazarian), nem procurem teses filosóficas. Também nem comecem pelas escritoras, é perca de tempo para vocês querer entender Virginia e Clarice. Isso deve lhes trazer um link para a podridão interna de cada um. De todos nós. De cada um de nós. Digo, continuem assim, quietos, metódicos, uma máquina, pois a plena felicidade ainda é possível dessa forma.

Vem, Inverno, mas fique também, Outono. Quero as folhagens amareladas pelas calçadas, o vento a soprar para longe meus devaneios e trazer um pouco de frescor ao meu rosto nesses dias, um pouco da fresca e gélida brisa.


"Today is the day after yesterday
And yesterday didn't go so well
My love came down and assured me:
Sit down, I have something to tell"

Anneke van Giersbergen