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segunda-feira, 17 de maio de 2010

Ópera no Mercado

Amanhã é a estreia da montagem da Fundação Clóvis Salgado da ópera de Verdi "La Traviata", em Belo Horizonte. Porém antes, alguns solistas da montagem fizeram uma apresentação no meio do dia do último sábado no Mercado Central. Muito inusitado, eu diria. Lendo mais um pouco sobre o ocorrido, vi que esse tipo de apresentação já foi feita num mercado da Espanha também, em Valencia, no ano passado.

Em BH, foram cantados dois trechos da ópera verdiana. Os cantores (por ordem de entrada):
- Marcos Paulo (tenor) e Eliseth Gomes (soprano)
- Eduardo Cunha Melo, Sandro de Deus e Marcos Paulo (tenores) e Fabíola Protzner, Lílian Assumpção e Eliseth Gomes (sopranos).


Aproveitando, também coloco a apresentação da Espanha, em Valencia, também da ópera La Traviata.

 

Agora é só aguardar a apresentação no Palácio das Artes.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

a cultura do fragmento na música + tomorrow, in a year



Hum... acabo de me dar conta como hoje as pessoas, culturalmente, apreciam músicas (hits), e não álbuns (música), como antigamente. Vemos pouquíssimas pessoas que carregam em seus microaparelhos de mp3 (mp4 ou afins) discos inteiros; hoje a cultura é a do hit, da música da novela, do filme, do single da rádio...

Não sei ao certo de onde adquiri essa cultura de ouvir um disco inteiro, e não faixas avulsas... Talvez eu devo esse hábito aos vinis... ou aos excelentes álbuns conceituais do Rock/Prog, ou até mesmo às óperas...

E em plena cultura de downloads e mp3, eu ainda continuo a carregar meus aparelhos com discos inteiros: uma obra completa, e não fragmentada.

E por falar em discos inteiros, estou aqui conferindo o novo disco dos suecos do The Knife. "Tomorrow, in a Year" é um experimentalismo sem tamanhos, para ouvidos exigentes (e extremamente pacientes). Vamos ver como termina essa electro-ópera inspirada na obra de Charles Darwin.


terça-feira, 20 de outubro de 2009

Ópera: Erwartung (Schönberg), Belo Horizonte, outubro de 2009




A Temporada 2009 de Óperas da Fundação Clóvis Salgado se encerra com a apresentação de "Erwartung". Composta por Arnold Schönberg e libretto de Marie Pappenheim, o drama será apresentado nos dias 18, 20, 22 e 24 de outubro de 2009 no Grande Teatro do Palácio das Artes.

O drama foi escrito num contexto de criação expressionista, no início do século 20, e na montagem da Fundação Clóvis Salgado são introduzidos alguns elementos de outras linguagens artísticas contemporâneas.


Ópera da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais conta com a solista e renomada cantora lírica carioca de trajetória internacional Eliane Coelho (soprano).


Esta será a segunda vez que a ópera será encenada na América Latina. A primeira foi em 2005, no Rio de Janeiro.


Artistas de renome nacional e internacional se reuniram para levar aos palcos mineiros a montagem desse drama do famoso compositor (e inventor do sistema musical dodecafônico, que rompe com o sistema tonal tradicional) A. Schönberg. Com regência e direção musical do maestro Abel Rocha e direção de Gilberto Gavronski, a ópera também tem trabalhos da artista plástica Adriana Valadão, imagens do videomaker Éder Santos, poesias de Gilherme Mansur e Ivo Barreto, iluminação de Telma Fernandes e figurinos de Ronaldo Fraga.




Realização: Fundação Clóvis Salgado


Erwartung
Compositor: Arnold Schöenberg
Libreto: Marie Pappenheim (1882-1966)

Abel Rocha, direção musical e regência
Gilberto Gavronski, direção cênica
Adriana Varejão, cenário
Ronaldo Fraga, figurino
Telma Fernandes, iluminação
Guilherme Mansur, poeta
Pedro Girão, assistente de cenografia

Solista
Eliane Coelho, soprano

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Ópera: A Menina das Nuvens (Villa-Lobos), Belo Horizonte, 2009


E a Temporada de Óperas 2009 do Palácio das Artes segue com "A Menina das Nuvens", do compositor brasileiro Heitor Villa-Lobos.

Em junho houve a montagem de "Macbeth", ópera não tão conhecida de Verdi, mas de beleza e qualidade impressionantes. Contou com solistas estrangeiros e brasileiros, além de uma equipe técnica muito boa.

"A Menina das Nuvens" será apresentada ao público em 4 récitas: 20, 22, 24 e 26 de setembro. A ópera é baseada na peça de Lúcia Benedetti. Faz parte das comemorações dos 50 anos de morte de Villa-Lobos.

Mais informações: http://www.fcs.mg.gov.br/agenda/1232,opera-ia-menina-das-nuvensi.aspx


Realização: Fundação Clóvis Salgado

A Menina das Nuvens
Heitor Villa-Lobos – revisão Roberto Duarte 2009
Libreto : Lúcia Benedetti

Roberto Duarte, direção musical e regência
William Pereira, direção de cena
Rosa Magalhães, cenários e figurinos

Pedro Pederneiras, design de luz
Tindaro Silvano, coreógrafo
Cristiano Peixoto, assistente de direção
Pedro Girão, assistente de cenografia
Nei Souza, assistente de figurino

Participação:
Orquestra Sinfônica de Minas Gerais
Coral Lírico de Minas Gerais

Solistas:
Gabriella Pace, Menina das Nuvens
Licio Bruno, Tempo
Inácio de Nonno, Corisco

Homero Velho, Vento Variável
Regina Elena Mesquita, Rainha
Flávio Leite, Soldado
Fabíola Protzner, Anita
Aline Soares Araujo, Mãe
Indaiara Patrocínio, Lua
Melina Peixoto, Lua
Wellington Vilaça Príncipe

Participação Especial:
Lina Lapertosa, Bailarina

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Ópera: Macbeth (Verdi), Belo Horizonte, junho de 2009




Montagem inédita da Fundação Clóvis Salgado para a ópera de Verdi, Macbeth tem ingressos esgotados já para suas duas últimas noites de espetáculo. Ao todo, serão 5 apresentações, terminando no sábado dia 27, no Grande Teatro do Palácio das Artes, em Belo Horizonte.
No último domingo, fui lá assistir. Casa lotada.

Como não sou um grande conhecedor das técnicas líricas e operísticas, vou me abster à comparação - inevitável para qualquer Shakespeariano - entre a obra literária e a operística. Claro, são linguagens diferentes. Verdi e o librettista modificaram a "Tragédia Escocesa" para chegarem a um ponto particular à época e ao que eles queriam provocar com a ópera. Prefiro Shakespeare. Claro. Mas Verdi também soube (re)criar uma obra de beleza e intensidade inigualáveis nesta Bela Tragédia. Eu já conhecia duas gravações: uma com Maria Callas (sim, La Divina!) e outra com Fiorenza Cossoto. Ambas excelentes sopranos, na minha humilde opinião. Mas a montagem do Palácio das Artes também ficou muito boa. Entre os solistas, dois norte-americanos que já se apresentaram em temporadas no MET Opera House de New York, além de solistas já conhecidos pelo público mineiro de outras temporadas e apresentações de música erudita na cidade. Não quero detalhar o cenário, figurino, iluminação... Não foi uma Aida, como de 2008. Mas também não chegou ao cúmulo de uma Die Zauberflöte com bonecos, de 2006. Mas gostei. Realmente foi muito bom. Cantores com grande potencial. Casa já reconhecida por ser capaz de ser futuramente uma referência no cenário da ópera no Brasil, cargo muitíssimo invejado, diga-se de passagem. Mas prefiro a poesia do Macbeth de William Shakespeare. Sei que não é justa a comparação. E por dois motivos: são linguagens diferentes e é injusto competir com Shakespeare, principalmente quando se trata de grandes tragédias.

Foram quase três horas de espetáculo, dividido em quatro atos. Destaque meu para a Lady Macbeth. Sempre achei incrível como Shakespeare escrevia suas grandes vilãs. É ela quem conduz praticamente toda a tragédia. Sutil por vezes, voraz tantas outras. E o que seria de Macbeth sem sua Lady? Na ópera, Cynthia Lawrence conduziu muito bem essa personagem. Só não senti tanta firmeza na ária mais esperada e difícil do soprano na ópera, a "Or tutti sorgete, ministri infernali". Pode ter sido o dia que fui. E pode ser porque realmente não entendo nada dessas técnicas do canto lírico. Outros momentos também vi as diferenças entre as Ladies verdiana e shakespeariana. Senti falta de uma força que o soprano deveria ter dado à vilã que interpretava. Destaco também o Banquo do baixo gaúcho Luiz Molz. Esse sim cresceu na ópera. Excelente interpretação.

Mas o que realmente não consegui engolir foi a representação das bruxas na ópera. Lembro que quando li pela primeira vez Macbeth, logo de cara me apaixonei. Elas, TRÊS bruxas, simplesmente surgem. Aparecem e já dizem a que vieram. Não tão diretamente assim. Longe disso. Mas já enfeitiçam os leitores. Encantam com seus cantos. E as construções poéticas que Shakespeare foi capaz de criar, dando então esse lirismo a essas (TRÊS) bruxas, é o que não foi reproduzido na ópera. Grande erro, eu diria. Ou então, um grande equívoco em retirar isso da obra. Tá, realmente não sei qual era o objetivo de Verdi. Mas a ópera poderia ser ainda mais bela e poética se tivesse sido mais fiel a William Shakespeare. Na ópera da Fundação Clóvis Salgado, as bruxas pareciam aborígenes. O que eram aquelas máscaras exagerada e desnecessariamente toscas? Não entendi realmente. E durante as outras aparições das bruxas, o mesmo ocorre. Onde estava Hécate? Ela nem foi diminuída na ópera. Foi excluída. Imperdoável para qualquer shakespeariano.

Mas em termos lírico-erudito-musicais estava tudo bem. A Orquestra Filarmônica de Minas Gerais cumpriu um importante papel, fez uma excelente apresentação. Conduziu um belo Verdi para os mineiros. Precisamos é de mais. Sim. Isso tudo é um juízo de valores. Antes, juízo de gostos. E eu realmente gostei muito do Macbeth verdiano pela Fundação Clóvis Salgado. Bom começo para a temporada de 2009 de óperas em Belo Horizonte. Gostei muito do Macbeth de Verdi. Mas prefiro o de Shakespeare. Prova do sucesso e qualidade (tá, também não sei se isso prova alguma coisa) é já ter esgotado os ingressos desde ontem para as duas últimas apresentações da ópera, uma hoje e a outra no sábado. Ainda bem que já fui. Pena que não verei de novo. Especialmente neste sábado. É uma pena, mas a gente compensa de outro jeito...

Deixo-lhes com a tal ária, "Or tutti sorgete, ministri infernali", mas por outra intérprete. No caso, o soprano russo-ucraniano Maria Guleghina:



É isso.
Abraços!